terça-feira, 28 de junho de 2011

Oração: Introdução Geral

Oração é tão difícil de ser definida quanto o amor. As duas palavras estão fortemente relacionadas uma com a outra. Oração e amor permeiam toda a Bíblia e escapam a uma definição. Elas são disponíveis para todos: ricos, pobres, letrados e Iletrados. Oração é o maior e o mais poderoso presente de amor para todos nós; capacita-nos a falar e a ouvir nosso Criador. Permite-nos trabalhar com o Senhor para construir o destino das nações. Contudo é provavelmente o presente mais incompreendido de todos os que Deus nos deu e também o mais subutilizado.

“Uma coisa é valorizada pelo seu custo. A oração precisa ser  valorizada não com base no que nos custou, mas em quanto custou a Deus para que pudéssemos orar.” Oswald Chambers

Por que Deus deu-nos a oração de presente?
Seria a oração limitada apenas aos atos de pedir e receber? Será que o Senhor é um balconista celestial esperando ouvir nossa lista de compras? Se fosse assim, com certeza Ele teria criado um modo mais eficiente de fazer negócios! Algumas pessoas estão repetindo a mesma lista de compras ano após ano. Outras não confiam que o atendente está na loja. Oração é infinitamente mais do que uma questão de pedir e receber. Oração nos capacita a conhecer a Deus.  Oração é um relacionamento que se aprofunda cada vez mais.  Ela não é fundamentalmente pedir por coisas – pedir é apenas uma pequena parte. Oração é a meio para se atingir o mais profundo relacionamento de todos. É uma conexão espiritual, “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito” (Romanos 8.16); “Um abismo chama outro abismo...  (Salmo 42.7).

O Senhor manifestou seus caminhos a Moisés e os seus feitos aos filhos de Israel.” (Salmo 103.7). O povo de Israel estava interessado nas respostas;  eles queriam ver as obras de Deus. Moisés estava interessado em Deus mesmo, e em Seus caminhos. Nós podemos escolher nosso nível de relacionamento com Deus. Será que queremos apenas que Deus faça coisas para nós, ou será queremos conhecer a Deus?

O Senhor realizou poderosos feitos pelo Seu povo e continua realizando. Ele responde à oração e  realiza milagres  mesmo  quando  nossos  corações estão




longe dele. E contudo seu anseio é que nós venhamos a conhece-lo. Jesus se orgulhou no Seu Pai pouco antes de ir à cruz: “Eu lhes fiz conhecer o teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e eu neles esteja.” (João 17.26).

Sua paixão fluiu ao orar. Este é o seu desejo, seu anseio, que possamos conhece-lo tão intimamente, que Ele preencheria todo nosso ser. Você pode imaginar sua alegria ao ouvir a  Moisés e a Paulo?

Moisés: “Agora, pois, se achei graça aos Teus olhos, rogo-te que me faças conhecer o teu caminho para que eu te conheça”. (Êxodo 33.13).

Paulo: “Para conhece-lo...” (Filipenses 3.10).

Esses homens de Deus que tiveram grandes realizações ligadas aos seus nomes tinham um objetivo na vida: conhecer ao Senhor. O Conde Zinzendorf, no Século XVIII, pioneiro do moderno movimento de missões, ainda muito jovem estabeleceu um lema para sua vida: “Eu tenho uma paixão: é Jesus, apenas Jesus.” Jesus mesmo disse do significado da vida de modo muito  sucinto no início de sua oração em João 17:

 E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” (João 17:3).

Quão maturos somos?
Se nosso relacionamento estiver baseado no que Deus faz por nós, teremos altos e baixos dependendo das nossas circunstâncias. Estamos ainda vivendo na carne. Se nosso relacionamento for baseado no conhecer a Deus, jamais ficaremos desapontados porque Ele é fiel, verdadeiro e amoroso; “confiaram em ti e não foram confundidos” (Salmo 22.5).

Se nossa esperança está até mesmo na resposta de oração, poderemos ficar desapontados. Não poderemos entender os caminhos de Deus; nossa esperança precisa estar “Nele”.  Conhecê-Lo significa confiarmos Nele apesar das circunstâncias.

Moisés sofreu murmuração, rebelião, mesmo ameaças de morte, daqueles a quem estava servindo, mas mesmo assim intercedeu por eles porque conhecia a Deus e entendia algo sobre o coração e a natureza de Deus. Moisés depositou sua confiança em Deus e não nas circunstâncias.

Ele não orou baseado em suas emoções. A emoção que ele sentiu ao ver o povo adorando o bezerro de ouro foi ira. “Logo que se aproximou do arraial, e viu o bezerro e as danças, acendeu-se-lhe a ira” (Êxodo 32.19).

Se ele houvesse orado movido pela emoção, sua oração teria pedido julgamento. A emoção nunca é o lugar onde encontramos a origem da oração. Ao orarmos nossas emoções farão parte do processo, mas se somos guiados pela emoção estaremos em perigo de sermos iludidos.

Moisés esperou sua ira diminuir e então encontrou a oração que o Senhor  havia colocado em seu espírito. Ele permitiu ao Espírito de Deus ir mais fundo  que suas emoções e então encontrou a verdade que o apóstolo Paulo escreveria mais tarde em Romanos 8.26: “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa  fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas, o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis.”  Ele tocou o Espírito de Jesus com seu pedido pelo povo: “perdoa-lhe o pecado, ou senão, risca-me peço-te, do livro que escreveste.” (Êxodo 32.32).

Paulo ele mesmo orou no mesmo espírito, “porque eu mesmo desejaria ser anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus compatriotas segundo a carne.” (Romanos 9.3).  Esses “irmãos” eram  as mesmas pessoas  que  estavam tentando matá-lo!

Oração é espiritual
Verdadeira oração começa ao estabelecermos como alvo conhecermos a Jesus.  Isso pode parecer óbvio demais, mas mesmo assim precisa ser dito: a oração é uma coisa espiritual. Nosso espírito pode, de algum modo maravilhoso, conectar com o Espírito de Deus. Jesus morreu a fim de tornar isso  possível. Nossos espíritos estão mortos antes de nascermos de novo, mas renascem quando nos encontramos com Jesus e são designados para estarem se comunicando com Ele. Nossa alma (vontade, intelecto, emoções) tem uma parte na oração. Jesus mesmo orou com forte clamor e lágrimas (Hebreus 5.7). Contudo essas emoções e pensamentos, se forem para serem corretamente utilizados, precisam ser trazidos à submissão ao nosso espírito. E então começaremos a sentir Suas emoções e pensar  Seus pensamentos.

O fato de que oração é espiritual dá-nos tremenda liberdade. Paulo pode influenciar o mundo de dentro da prisão.  Ele pode falar a uma igreja desviada, não somente que poderia enviar-lhes bom conselho, mas também por causa do tremendo poder e mistério da oração, ele poderia estar com eles em espírito (veja 1 Coríntios 5.3). Como podemos influenciar uma situação quando não estamos presentes? Como podemos orar por um lugar onde jamais estivemos? Nós podemos ir até lá em oração e podemos estar lá em espírito. Satanás pode apenas imitar – ele não pode iniciar.  Planejamento Astral e coisas desse tipo são apenas imitações impuras e incompletas da capacidade dos crentes de orar no espírito.

Ao esperamos no Senhor em oração, Ele comunica-nos o que há no Seu coração. Isso vem do Seu Espírito para o nosso, e ao entendemos e respondermos, coisas são geradas. Deus é o criador. Ele continua chamando à existência as coisas que não existem (Romanos 4.17). Ao nos relacionarmos com Ele algumas vezes ouvimos em segredo as palavras de criação que Ele está falando, e Ele nos convida a criarmos com Ele. É desta maneira que todos os  trabalhos  de Deus nascem. “Um abismo chama outro abismo” quando somos atraídos para perto de Deus.

Autora:
Gail Dixon, Livreto sobre Oração, Cap 1

Tradução: 

CARLOS BRANDÃO